SERINGUEIRA (Hevea
brasiliensis)
1
- INTRODUÇÃO
A seringueira é uma planta pertencente ao gênero Hevea, da familia
Euphorbiacea. Nativa da região Amazônica, abrange os Estados do
Acre, Amazonas, Rondônia, Pará e ainda áreas vizinhas do Peru e
Bolívia.
Produz o látex, da qual se extrai a borracha natural.
2 - CLIMA E SOLO
A seringueira, nativa da região amazônica é planta de clima tropical embora
demonstre excepcionais condições de rusticidade e de capacidade de adaptação
a grande número de padrões climáticos e edáficos (ORTOLANI 1985). Temperaturas
médias anuais de 20º C tem sido adotadas como um índice limite mínimo para
o cultivo de seringueira.
A
variável
evapotranspiração real (ER) anual igual a 900 mm também pode
ser utilizada. Na instalação do seringal, cuidados especiais
devem ser tomados com relação a ventos fortes e possibilidades
de ocorrência de geadas que causam sensíveis prejuízos à seringueira.
De modo geral a seringueira se adapta bem a solos distróficos,
de textura arenosa com as devidas correções químicas necessárias,
e conservação do solo, ou seja, a seringueira se adapta a maioria
dos solos e temperaturas do Brasil.
3 - PREPARO DA ÁREA DE PLANTIO DEFINITIVO
O terreno deve ser de forma convencional, com aração, gradagem e sub solagem,
de modo a permitir o plantio de culturas anuais ou de leguminosas para adubação
verde, intercalares à linha de plantio da seringueira.
3.1 - Calagem
Durante o preparo da área, de acordo com análise do solo, fazer calagem elevando-se
o V% para 50% - 60%.
3.2 - Conservação do solo
Proceder a marcação de curvas de nível e demais práticas de conservação do
solo (plantio em nível, solo vegetado etc.) de modo a se evitar processos erosivos.
3.3 - Alinhamento
A área útil recomendada por planta de seringueira é de 20 m ou seja, 500 plantas
por hectare. Os espaçamentos recomendados e mais utilizados no plantio são
8,0 m entre as linhas e 2,5 m entre-plantas, ou 7,0 m entre linhas e 3,0 m
entre plantas.
3.4 - Sulcamento e Coveamento
Com o auxilio de um sulcador de cana, faz-se a marcação das linhas de plantio, à uma
profundidade de aproximadamente 35 cm. Após a demarcação das covas, as mesmas
serão completadas manualmente no sulco aberto, para plantio de mudas ensacadas,
ou abertos com auxilio de brocas para o plantio de mudas de raiz nua.
3.5 - Adubação
Para aduação das covas, utilizar 30 gramas de P2 O5 e 30 gramas de K2O. Colocar
o adubo sobre a terra retirada quando da abertura da cova, para incorporação
durante o plantio. Se houver disponibilidade, utilizar matéria orgânica curtida.
4 - PLANTIO DEFINITIVO
O plantio no campo será programado de acordo com o tipo de muda adotada. Melhores
resultados tem sido obtidos com o uso de mudas ensacadas com 1 ou 2 lançamentos
foliares maduros. Mudas de raiz nua tem sido utilizadas para transporte a grandes
distâncias.
4.1 - Mudas ensacadas
Após seleção no viveiro, as mudas brotadas serão transportadas em veículos
com o assoalho recoberto com uma camada de 15cm de palha de arroz ou serragem.
Depois da distribuição no campo, é cortado o fundo do saquinho e feito um corte
lateral até 5 cm da borda. Coloca-se a muda na cova, com o broto voltado para
a nascente, chegando-se a terra com adubo até 5 cm do enxerto. Após o coroamento
das mudas, irrigar com 20 litros d'água por planta.
4.2 - Mudas de raiz nua
Confirmando o pegamento do enxerto, as mudas serão arrancadas, podadas em bisel
5 cm acima da placa de enxertia, deixando-se a raiz pivotante com 40-50 cm
de comprimento, e as laterais com 5 cm. Em seguida faz-se a parafinagem até 5
cm abaixo da placa de enxerto, com parafina a 80º C, mantendo em banho maria.
O sistema radicular sofre tratamento com substâncias à base de ácido alfanaftaleno
acético ou ácido indolbutilico. O produto mais utilizado é encontrado comercialmente
sob o nome de NAFUZAKU.
As
mudas devem ser levadas para o campo em camadas cobertas por
serragem úmida.
As covas abertas previamente com brocas, são preenchidas com água
até sua metade. Em seguida, vai-se colocando a terra adubada
até formar um barro. Introduz-se a muda na cova com enxerto voltado
para a nascente, de maneira que a placa do enxerto fique 5 cm
acima do solo.
4.3 - Irrigação
Para qualquer tipo de muda plantada, é aconselhável que façam "coroas"em volta
das plantas, com capacidade de no mínimo 20 litros d'água, irrigando-se até o
perfeito pegamento das mudas.
4.4 - Replantio
É
previsto o replantio de até 5% de mudas, para o plantio de mudas ensacoladas
e de 30% para mudas de raíz nua. O replantio deverá ser efetuado imediatamente
após o plantio, confirmando a morte das plantas. Replantios tardios acarretarão
em plantas dominadas que dificilmente chegarão ao ponto de sangria.
5 - TRATOS CULTURAIS
5.1 - Aplicação de Fertilizantes
A adubação de formação deve ser baseada em análise do solo, segundo a relação
abaixo:.
|
IDADE (ANOS)
|
P RESINA
microg/cm³
|
K TROCÁVEL
0 - 0,15 meq
N - P2O5
|
/100 cm³
> 0,15
K 2O g/ planta
|
|
2-3
|
0
-15
|
80
- 80 - 80
|
80-80
-40
|
|
> 15
|
80
- 40 - 80
|
80-40
-40
|
|
4-6
|
0
-15
|
120
-120-120
|
120-60-120
|
|
> 15
|
120
- 60-120
|
120-60-120
|
5.2
- Controle de Pragas e Doenças
As pragas mais comumente encontradas no seringal em formação são:
-
formigas quenquém e sauvas, controladas com iscas formicidas;
-
mandorová (Erinny
ello), uma das principais pragas da seringueira, pode ser controlado
manualmente, matando-se os adultos, fáceis de se visualizar ou
através de pulverizações com produtos biológicos ou químicos.
-
Outras pragas como cochonilhas, ácaros, tripes, etc, até o momento não exigem
maiores cuidados quanto ao combate, pois não chegam a causar
danos severos ao seringal. Das doenças a mais comum e que requer
maiores cuidados é a Antracnose (Colletotrichum gloeosporioides),
sendo seu controle feito com aplicações a base de fungicidas
cúpricos (Cobre Sandoz, Copratol) ou Clorothalonil (Daconil,
Bravonil, Dacostar).
5.3 - Controle de ervas daninhas
Deve-se evitar a concorrência de ervas daninhas, principalmente de brachiarias,
com a seringueira. O controle deverá ser manual, mecânico ou químico, ou associados.
5.4 - Desbrotas
Fazer a eliminação de brotos ladrões do porta-enxerto até uma altura de 2,5
metros, utilizando-se canivetes, tesouras de poda ou alicates de cortar fios
elétricos. Não vergar a planta para a desbrota.
6 - SANGRIA
Uma árvore de seringueira está apta a entrar em sangria, quando o perímetro
de seu tronco a 1,20 m do solo seja igual ou superior a 45 cm, e que sua casca
tenha espessura igual ou superior a 6 mm. Esse padrão ocorre em média aos 7
anos de idade do seringal.
6.1 - Preparo
do Seringal para Sangria
6.1.1 - Limpeza
A limpeza do seringal consiste em roçada, eliminação de galhos,
limpeza dos acessos ao ponto de coleta, visando facilitar o
deslocamento do sangrador.
6.1.2 - Levantamento
Consiste na medição das árvores para identificação das que estão aptas à sangria
(perímetro 45 cm), que serão marcadas com tinta, e elaboração de planilhas
com perímetro de todas as árvores.
6.1.3 - Abertura de Painel
É
o preparo da árvore para o início da sangria. Inicialmente demarcam-se as geratrizes,
duas linhas verticais que dividem o perímetro da árvore em duas partes iguais,
coincidindo com o sentido da linha de plantio. São marcadas à 1,30 m do solo.
Em seguida marca-se a linha de corte, unindo-se as duas geratrizes da esquerda
acima para a direita abaixo, num ângulo de 37º. Isto é feito com o auxilio
de uma cadeira previamente fabricada.
Após a marcação da linha de corte desbasta-se a casca, 2,5 cm acima da mesma
aprofundando-se o corte até 1,5 mm do cambio.
6.1.4 - Equipagem
Após a abertura do painel, colocar os equipamentos que consiste em bicas, suportes
e canecas.
6.1.5 - Freqüência de Sangria
Corresponde ao número de dias de intervalo de corte. Atualmente os sistemas
mais comuns são o d/4 ou d/5, ou seja sangria à cada 4 ou 5 dias na mesma árvore.
6.1.6 -
Consumo de casca na sangria
Á
cada sangria é retirada uma fina camada de casca, de 1,5 mm, suficiente para
destampar os vasos laticíferos e liberar o látex. Para o controle do consumo
de casca utiliza-se o "marcador de consumo de casca".
6.1.7 - Profundidade do corte de sangria
O sangrador deve procurar sangrar o mais profundo possível, visando atingir
o maior número de vasos laticíferos, sem no entanto atingir o cambio, responsável
pela regeneração da casca. A sangria deve se aprofundar até 1,5 mm do cambio.
A verificação da profundidade de corte é realizada através de um paquímetro.
6.1.8 - Estimulação
Consiste na aplicação de substâncias químicas, visando o estímulo à liberação
do etileno, envolvido no retardamento à obstrução dos vasos laticíferos, prolongando
o fluxo de látex e consequentemente a produção por sangria. O estimulante mais
utilizado atualmente, é encontrado comercialmente como ETHREL PT, à 10% em
forma de pasta. Para aplicação no seringal o ETHREL deve ser diluído à 2,5,
em água (1 parte de ethrel para 3 partes de água). Da solução, aplicar 1 ml
por planta, com pincel ¾, sendo metade na Canaleta de sangria e metade na Casca
a ser sangrada. O intervalo de aplicação depende do clone a ser sangrado não
deve ser utilizado com período seco.
6.1.9 - Descanso Anual
Por ocasião da troca de folhas do seringal, suspender a sangria no início do
reenfolhamento até a maturação das folhas novas.
7 - TRATAMENTO DE PAINEL
O processo de sangrias sucessivas abrem as portas para entrada de patógenos
que prejudicam o painel da seringueira, dificultando a sua perfeita recuperação.
Tratamentos periódicos com intervalos de aproximadamente dez dias são recomendados,
utilizando-se os seguintes produtos e dosagens (Silveira A.P).
|
Doenças
|
Patógeno
|
Fungicidas eficientes
|
Dosagem ml ou g p/litro
|
Observação
|
|
Principio ativo
|
Nome
comercial
|
|
Antracnose
|
Colletstrichum gloeosporioides
|
Chlorothalonil +
|
Cerconil
|
10,0
|
Aplicado em água ou em mistura com Natural oil a 50 ml/l de água/fungicida.
|
|
Tiof.
metílico
|
Daconil,
Brazonil
|
10,0
|
|
Chlorothaloniil
|
Fungitox,
Rodisan
|
20,0
|
|
Ziran
|
Folicur
|
4,0
|
|
tebuconazole
|
Tilt
|
4,0
|
|
Propiconazole
|
Dithane
M45
|
30,0
|
|
Mancozeb
|
|
|
|
Mofo
cinzento
|
Ceratocystis fimbriata
|
Benomyl
|
Benlat,
Benomil
|
4,0
|
Preventivo
Curativo
|
|
Carbndazin
|
Delsene, Derosal
|
3,5
a 5,0
|
|
Thiabendazol
|
Tecto
|
2,0
a 4,0
|
|
Triadimefon
|
Bayleton
|
3,5
|
|
Dodine
|
Ventural
|
9,0
|
|
Tiof.
metílico
|
Cerobin
|
4,0
a 5,0
|
|
Cancro
estriado
|
Phytophthora spp
|
Metaxyl-mancozeb
|
Ridomil-mancozeb
|
10,0 |
Preventivo
Curativo
|
|
Metaxyl
|
Ridomil
|
10,0
|
|
Fosetyl-Al
|
Aliate
|
15,0
|
|
Cymoxamil-maneb
|
Curzate
M
|
10,0
|
|
Dodine
|
Ventural
|
10,0
|
| Tratamento preventivo: abertura de painel, utilizar
os fungicidas recomendados para controle de antracnose
Desinfestação
da faca: Hipoclorito de sódio (100 ml/litro de água) |
8
- ADUBAÇÃO
DO SERINGAL EM PRODUÇÃO
A adubação do seringal em produção, principalmente dos que sofrem o processo
de estimulação, é de fundamental importância para reposição dos nutrientes
retirados pela sangria. Recomenda-se a seguinte adubação em duas aplicações
no período das águas; baseada em análise do solo:
|
IDADE (ANOS)
|
P RESINA
microg/cm³
|
K TROCÁVEL
0 - 0,15 meq
N - P2O5
|
/100 cm³
> 0,15
K 2O g/ planta
|
|
7-15
|
0-15
|
120-100-120
|
128-100-60
|
|
>15
|
120-60-120
|
120-60-60
|
|
16-25
|
0-15
|
100-80-100
|
100-80-60
|
|
>15
|
100-40-100
|
100-40-60
|
|
7-15
|
0-15
|
120-100-120
|
120-100-60
|
|
>15
|
120-60-120
|
120-60-60
|
|
> 16
|
0-15
|
120-80-100
|
100-80-60
|
|
>15
|
100-40-100
|
100-40-60
|
9
- REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
ORTOLANI, A.A. Agroclimatologia e o cultivo da seringueira.
Simpósio sobre
a cultura de seringueira no Estado de São Paulo Fundação Cargil, Piracicaba,
1986.
Coordenadoria de Assistência Técnica Integral. Manual Técnico das Culturas.
Campinas, 1986.
Secretaria da Agricultura e Abastecimento. Manual Técnico da Cultura da Seringueira.
São Paulo,1995.
PEREIRA, A. V. Mudas de seringueira, EMBRAPA - CNPSD, 1985.
GONÇALVES, P. S. Clones de Hévea: influência dos fatores ambientais na produção
e recomendação para o Plantio. Campinas, 1991.
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